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A arte de saber ouvir

 

É extrema importância o saber ouvir. Ouvir é uma arte! As pessoas correm tanto, que acham ser perda de tempo ouvir. Apenas escutam: escutam sons, barulho, vozes, mas não prestam atenção realmente no que está sendo dito, não ouvem. O ouvir é um processo intelectual e requer atenção antes de tudo. Por exemplo: não há coisa pior para um professor que falar frente a uma sala de aula e não ser ouvido. A sensação é de desprezo: o que está sendo dito parece não ser importante, a pessoa que está falando não parece não ser importante, ou seja, qualquer outro assunto é melhor do que aquele. Dar as costas quando o professor fala (ou o professor quando o aluno fala) são erros comumente cometidos. O nosso corpo fala e quando damos as costas isso significa: não me importo com você / excluo você do meu convívio / você não é importante. Acontece que não são somente os professores os privilegiados com situações como esta. Enfim, são várias as interpretações diante dos vários contextos, mas uma coisa é certa: essa atitude é extremamente grosseira e nada educada. Quem ouve não fala, esse é o primeiro dos mandamentos do saber ouvir. A impressão é que as pessoas desaprendem essa arte. Quando ainda bebê, o ser humano ouve e aprende muita coisa apenas com esse sentido tão importante. Depois que aprende a falar parece que desaprende a ouvir.



Quando nos dedicamos à arte de saber ouvir, descobrimos o quanto podemos aprender apenas ouvindo.



Muitos problemas são criados e não são solucionados porque não sabemos ouvir. A mensagem quando transmitida, só chega claramente ao receptor se ele estiver predisposto a recebê-la por inteiro. Ouvir requer atenção, disposição, atitude, empenho...



Ouvir é um ato de amor ao próximo, pois exige paciência, é caridade: quantas vezes alguém precisa apenas ser ouvido para se sentir melhor, para desabafar. Sempre relacionamos ajudar alguém com dispor de algum bem material (com dar ou emprestar um dinheiro, por exemplo), mas isso não é verdade: às vezes um sorriso, uma palavra, um abraço, um gesto carinhoso podem salvar uma vida. Ouvir, também pode!



Algumas situações chegam ao grotesco quando duas pessoas disputam o falar e o ouvir: não há diálogo, mas sim dois monólogos simultâneos que não são nem transmitidos, nem recebidos. Na verdade, nem um nem outro desempenham corretamente seus papéis, pois interrompem a todo o momento quem está falando, sem contar as vezes que aumentam as vozes para garantir a sua vez de falar. Isso é complicado. Falamos cerca de 125 palavras por minuto, mas pensamos quatro vezes mais depressa. E não podemos nos esquecer de que somos humanos, e humanos erram, tomam atitudes nem sempre corretas. Devemos nos permitir também a errar, pois o errar nos engrandece quando conseguimos nos redimir de nossos erros fazendo deles um aprendizado. Isso faz parte de nosso processo evolutivo, porque para Deus não importa quantas vezes a gente caiu, mas quantas vezes queremos nos levantar!




Artigo Jornal Impacto News
Outubro/08

 

 


Prof. William Sanches
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